Setembro veste-se de dourado para dar visibilidade ao cancro infantil. Mas a sensibilização, por si só, não chega. O verdadeiro compromisso europeu mede-se pela capacidade de garantir que cada criança e família têm acesso, quando mais precisam, à ciência, aos cuidados adequados e ao apoio necessário, independentemente do país onde vivem.
O Parlamento Europeu deve continuar aliado dos doentes, das famílias e dos profissionais de saúde, transformando sensibilização em decisões concretas que mudem vidas.
Perante um diagnóstico de cancro infantil, nenhuma família deveria enfrentar desigualdades ou barreiras evitáveis. A resposta tem de estar disponível em tempo útil: diagnóstico, tratamento, investigação e acompanhamento. Os pais não podem carregar, além da doença dos seus filhos, o peso de sistemas demasiado complexos.
Na União Europeia, o cancro infantil continua a ser um desafio de saúde pública. Apesar dos avanços da medicina, persistem diferenças no acesso ao diagnóstico, às terapias inovadoras e aos cuidados especializados entre estados-membros. Como afirmou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, esta é uma missão coletiva que exige transformar solidariedade em ação concreta.
Uma criança não pode ter menos oportunidades porque o seu tumor é raro ou porque um tratamento não apresenta atratividade comercial. A saúde não pode depender da dimensão de um mercado. Nenhuma vida é pequena demais para mobilizar a melhor ciência.
A maioria dos cancros infantis não pode ser evitada. Por isso, a resposta tem de estar na ciência: diagnóstico rápido, cuidados especializados, investigação dedicada e acompanhamento dos sobreviventes.
A Europa tem uma responsabilidade decisiva. Nenhum Estado-membro consegue, sozinho, responder aos cancros pediátricos mais raros. Precisamos de cooperação europeia, redes de referência fortes e incentivos para desenvolver medicamentos destinados às crianças.
Na Comissão da Saúde Pública do Parlamento Europeu, continuarei a defender uma Europa que transforma investigação em tratamentos e compromissos em resultados. Agir em conjunto quando a Europa acrescenta valor é o caminho certo.
O sucesso não se mede pelo número de iniciativas anunciadas em setembro. Mede-se pela capacidade de responder às crianças e às famílias quando mais precisam.
Esse é o verdadeiro teste à Europa: transformar solidariedade em ação concreta, garantindo que nenhuma criança é rara demais para mobilizar a melhor ciência e que nenhuma família enfrenta sozinha a doença de um filho.