A Europa está a entrar numa nova fase. Depois de anos de crises sucessivas, a questão já não é apenas resistir aos choques, mas construir uma União mais preparada para os próximos desafios. Foi essa, em grande medida, a mensagem de Ursula von der Leyen no discurso sobre o Estado da União: uma Europa mais forte, mais independente e com maior capacidade para decidir o seu próprio futuro.
A primeira prioridade é a economia. A Comissão quer acelerar o Mercado Único, reduzir burocracia, simplificar licenciamentos e criar melhores condições para que empresas e PME invistam e cresçam. A competitividade europeia não pode continuar a ser travada por barreiras internas, processos lentos e custos desnecessários. A Europa precisa de transformar a dimensão do seu mercado numa verdadeira vantagem económica.
Na energia, as crises recentes recordaram-nos que dependência significa também vulnerabilidade económica e estratégica. Investir em produção interna, redes, armazenamento e electrificação não é apenas política climática, mas também uma política de soberania, competitividade e segurança. A transição energética deve, por isso, ser acompanhada por condições que permitam à indústria e às famílias ter energia mais acessível e previsível.
A transformação tecnológica e a inteligência artificial serão decisivas para a produtividade, para a saúde, para a indústria, para a agricultura, para os transportes e para a defesa. A Europa não pode limitar-se a estabelecer regras: precisa também de desenvolver capacidade tecnológica, apoiar empresas inovadoras e transformar tecnologia em valor económico real. E deve garantir que os trabalhadores têm as competências necessárias para acompanhar esta transformação.
A conectividade atravessa todas estas prioridades. Redes energéticas, infraestruturas de transporte, corredores comerciais, ligações digitais e cadeias de abastecimento resilientes são hoje instrumentos de competitividade e autonomia. A aposta no Global Gateway e em novas rotas de ligação ao mercado europeu mostra que a geopolítica também se faz através das infraestruturas e das oportunidades económicas.
Finalmente, a Europa terá de reforçar a sua resiliência. Perante incêndios, ondas de calor, secas, ameaças híbridas, ciberataques ou desinformação, prevenir é tão importante como responder. Isso exige mais coordenação, mais investimento e capacidade de agir em conjunto. A segurança deixou de ser uma questão exclusivamente militar; é também económica, energética, tecnológica, ambiental e social.
As prioridades apresentadas pela Comissão apontam para uma escolha. Uma Europa que não se limita a reagir, mas que antecipa. Que protege sem se fechar. Que reduz dependências sem abdicar da abertura. E que transforma a sua escala em prosperidade, segurança e influência. Agora é preciso concretizá-las no terreno, onde a Europa é verdadeiramente avaliada. Nas empresas que conseguem investir, nas pessoas que conseguem trabalhar e viver melhor, nas regiões que estão ligadas e nas comunidades que se sentem mais seguras. O futuro da Europa será feito destas escolhas concretas.