O Pilar Europeu dos Direitos Sociais reafirma que proteger, capacitar e preparar os cidadãos é essencial para uma Europa mais forte e competitiva.
A Europa vive uma era de profundas transformações. A evolução tecnológica, as novas formas de organização do trabalho, a pressão sobre o custo de vida e as mudanças sociais exigem respostas capazes de conciliar crescimento económico, inovação e coesão.
A recente comunicação da Comissão Europeia sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais reafirma uma ideia essencial: a Europa só será forte se conseguir proteger e capacitar os seus cidadãos. O Pilar continua a ser a bússola para uma União mais justa, preparada para a mudança e capaz de criar oportunidades para todos.
Enquanto membro da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, acompanho de perto um desafio decisivo para a próxima década: assegurar que as transformações em curso reforçam, e não fragilizam, o modelo social europeu.
A resposta passa por um modelo social capaz de acompanhar a mudança. Isso significa responder às pressões sobre o custo de vida, garantindo o acesso a bens e serviços essenciais e promovendo empregos de qualidade, porque o trabalho continua a ser a principal via de inclusão e autonomia.
Significa também preparar o futuro do trabalho. A Inteligência Artificial abre oportunidades extraordinárias para aumentar a produtividade, estimular a inovação e criar novas formas de valor. Mas esta transformação só será inclusiva se for acompanhada por investimento nas pessoas, nas competências digitais e na aprendizagem ao longo da vida. A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas, ampliando oportunidades e combatendo novas desigualdades.
Significa, igualmente, combater desigualdades e promover a igualdade de oportunidades. Uma economia moderna e competitiva não pode desperdiçar talento nem deixar cidadãos afastados da participação plena na sociedade e no mercado de trabalho.
Portugal tem dado passos importantes nesta agenda. O emprego encontra-se em níveis elevados, foram reforçados mecanismos de valorização salarial e registaram-se progressos na transformação digital dos serviços públicos. Mas o caminho exige continuidade: aumentar a produtividade, valorizar competências e apoiar as empresas, em particular as pequenas e médias empresas, para liderarem esta transição.
A Europa social não é um custo para a economia. É uma condição para uma Europa mais competitiva, inovadora e resiliente. Investir nas pessoas é garantir uma Europa capaz de proteger no presente, preparar o futuro e transformar mudança em oportunidade.