Competitividade e Coesão: o verdadeiro desafio europeu

As novas propostas da Comissão Europeia contra a pobreza e pela acessibilidade provam que a inclusão social é um fator estratégico para a competitividade.
Representantes europeus reunidos em debate sobre acessibilidade, igualdade de oportunidades e inclusão social na Europa

As recentes propostas da Comissão Europeia reforçam o combate à pobreza e a inclusão como fatores estruturantes da competitividade e da coesão europeias.

A União Europeia enfrenta um desafio decisivo: reforçar a sua competitividade sem comprometer o seu modelo social. Num mundo marcado pela transformação digital, pela transição climática e por uma concorrência global cada vez mais intensa, prosperidade económica e coesão social são indispensáveis para uma Europa mais forte, resiliente e preparada para o futuro.

A competitividade europeia não depende apenas da inovação ou do desempenho económico. Depende também da capacidade de criar oportunidades, reduzir desigualdades e promover a participação de todos.

É neste contexto que ganham relevância as recentes propostas da Comissão Europeia para o combate à pobreza e a inclusão das pessoas com deficiência. Mais do que medidas sociais, refletem uma visão estratégica para a Europa: nenhuma economia pode ser plenamente competitiva se milhões de cidadãos continuarem afastados das oportunidades e da participação que sustentam sociedades mais justas, mais inclusivas e mais resilientes.

Mais de 90 milhões de europeus continuam em risco de pobreza ou exclusão social. Entre as crianças, a situação é ainda mais preocupante. Estes números mostram que o crescimento económico só é sustentável quando gera oportunidades, inclusão e mobilidade social.

A primeira Estratégia Europeia de Combate à Pobreza representa um marco importante para o reforço da dimensão social do projeto europeu. Mas nenhuma estratégia se concretiza apenas com metas ou declarações de princípio. O verdadeiro desafio está em transformar ambição política em resultados concretos na vida das pessoas. E essa transformação acontece nos territórios, através dos municípios, das instituições sociais, das escolas e das comunidades locais, onde as políticas públicas ganham proximidade, eficácia e impacto.

O reforço das medidas de acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência reafirma um princípio fundamental: nenhuma sociedade pode aspirar a todo o seu potencial enquanto continuar a excluir talento, participação e cidadania.

Esta é uma agenda de justiça social, mas também de competitividade, desenvolvimento e democracia. Enquanto membro da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, considero que esta será uma das prioridades decisivas da próxima década europeia.

Porque uma Europa verdadeiramente forte é a que transforma crescimento em oportunidades, competitividade em coesão e desenvolvimento em dignidade.

Artigo publicado no JN

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