A Europa está a envelhecer, e essa realidade já está a transformar a forma como vivemos, trabalhamos e protegemos o nosso futuro. Hoje, mais de 90 milhões de europeus têm mais de 65 anos; em 2050, serão um terço da população. Em Portugal, há já mais de 180 idosos por cada 100 jovens. Não são apenas números: representam uma pressão crescente sobre a saúde, as pensões e a coesão social. São, sobretudo, um sinal claro de que a Europa precisa de respostas políticas novas e urgentes.
É neste contexto que surge o Cartão Europeu 65Plus, proposto pela AD – Aliança Democrática e já aprovado, numa primeira fase, na Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu. Trata-se de um projeto-piloto que seguirá agora para avaliação orçamental e técnica pela Comissão Europeia, um passo decisivo para a sua concretização.
Mais do que um símbolo, o 65Plus traduz uma mudança de paradigma com impacto direto na vida dos cidadãos: os direitos dos europeus com mais de 65 anos não devem terminar na fronteira. Hoje, benefícios como descontos em transportes, acesso à cultura ou a serviços públicos continuam fragmentados entre Estados-membros. A proposta rompe com essa lógica, criando um sistema digital interoperável, integrado na identidade digital europeia e reconhecido em toda a União.
Os efeitos são evidentes, desde logo na promoção de uma longevidade com qualidade. A evidência mostra que mobilidade, participação cultural e inclusão social são determinantes para mais anos de vida saudável. Ao facilitar o acesso a transportes, cultura e serviços, o 65Plus combate o isolamento e promove um envelhecimento ativo.
Há também um impacto económico relevante. A economia sénior é hoje uma das áreas com maior potencial de crescimento na Europa. Maior mobilidade traduz-se em mais turismo, consumo cultural e dinamização das economias locais, com efeitos diretos e indiretos no crescimento e no emprego.
Mas há, sobretudo, uma dimensão política incontornável. Numa Europa onde um em cada três cidadãos será sénior, garantir coesão entre gerações e igualdade de acesso deixa de ser uma opção – é uma prioridade estratégica.
O processo está em curso e exigirá compromisso europeu e capacidade de execução para transformar esta proposta numa realidade com impacto na vida de milhões de europeus.
Porque o verdadeiro desafio não é viver mais anos. É garantir que esses anos contam, com autonomia, mobilidade e dignidade, em qualquer ponto da Europa.